Os municípios de Santarém e Golegã integram uma candidatura europeia que pretende testar um novo modelo de gestão de resíduos urbanos, com o objetivo de reduzir em média 20% os resíduos indiferenciados e aumentar em 25% a recolha seletiva.
O projeto PAYT4CIRCULARITY foi submetido pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo ao Programa LIFE da União Europeia e prevê cinco demonstrações-piloto em Lisboa, Oeiras, Cascais, Santarém e Golegã.
A iniciativa assenta na aplicação de sistemas “Pay-As-You-Throw” (PAYT), através dos quais os utilizadores são incentivados a produzir menos resíduos indiferenciados e a separar mais e melhor os materiais recicláveis.
Os cinco territórios escolhidos apresentam características diferentes, permitindo testar soluções em contextos urbanos, empresariais e comunitários. O objetivo é criar conhecimento e metodologias que possam posteriormente ser aplicados noutros municípios da região.
Coordenado pela CCDR Lisboa e Vale do Tejo, o projeto envolve municípios, entidades gestoras de resíduos, universidades, entidades de verificação independente e parceiros especializados.
A metodologia proposta combina tecnologia, ciência comportamental, incentivos económicos, participação dos cidadãos e monitorização de dados, procurando alterar comportamentos e tornar os sistemas de gestão de resíduos mais eficientes.
Segundo a CCDR LVT, o projeto pretende também ajudar os municípios a cumprir as metas nacionais e europeias para 2030 em matéria de reciclagem, redução da deposição em aterro e economia circular.
Gonçalo Conde da Costa, vice-presidente da CCDR LVT com o pelouro do Ambiente, considera que a iniciativa representa uma mudança na forma de gerir os resíduos, procurando envolver diretamente os cidadãos na redução da produção de lixo e no aumento da reciclagem.
Caso seja aprovado, o PAYT4CIRCULARITY terá uma duração de 48 meses.
A CCDR LVT considera que os resultados poderão ainda apoiar os municípios na adaptação dos sistemas tarifários às novas exigências regulatórias e na criação de modelos mais transparentes e alinhados com o princípio do poluidor-pagador.

