A circulação ferroviária na Linha da Beira Baixa vai ser totalmente restabelecida no domingo, dia 20 de setembro, colocando fim à interrupção provocada pelas intempéries do início do ano e permitindo recuperar as ligações ferroviárias entre o Ribatejo e localidades como Castelo Branco, Fundão, Covilhã e Guarda.
A Infraestruturas de Portugal (IP) anunciou a reabertura do troço entre Mouriscas-A e Ródão, que se encontrava encerrado devido aos danos provocados pela tempestade Kristin. Com a conclusão dos trabalhos, ficam novamente assegurados os serviços Regionais e Intercidades em toda a extensão da Linha da Beira Baixa.
A reabertura assume particular importância para a região, uma vez que a Linha da Beira Baixa atravessa o distrito de Santarém, passando por localidades como Santarém, Entroncamento, Vila Nova da Barquinha e Abrantes, prosseguindo depois em direção a Castelo Branco, Fundão, Covilhã e Guarda.
Desde 16 de março, devido à interrupção da linha, a CP tem assegurado um serviço rodoviário de substituição aos comboios Intercidades entre Abrantes e Guarda e aos Regionais entre Mouriscas-A e Vila Velha de Ródão. Os comboios Intercidades circulavam apenas entre Lisboa e Abrantes, enquanto os Regionais asseguravam a circulação ferroviária entre Entroncamento e Mouriscas-A e, do outro lado da zona interrompida, entre Vila Velha de Ródão e Castelo Branco.
A intervenção de recuperação representou um investimento de 3,4 milhões de euros e foi necessária na sequência de dois deslizamentos de terras, entre os quilómetros 39,150 e 39,270, que provocaram instabilidade na plataforma ferroviária e obrigaram à suspensão da circulação.
Os trabalhos incluíram a estabilização dos taludes, com cerca de 5.500 metros cúbicos de enrocamento, a construção de duas estruturas em betão armado assentes em microestacas, o reforço da plataforma ferroviária e a reabilitação e melhoria do sistema de drenagem. Foi ainda reposta a via-férrea, bem como as telecomunicações e outras infraestruturas afetadas, tendo sido instalado equipamento para monitorização geotécnica da plataforma.
Segundo a Infraestruturas de Portugal, a conclusão da intervenção permitirá não apenas repor o transporte de passageiros, mas também devolver à Linha da Beira Baixa a função de alternativa à Linha da Beira Alta no transporte ferroviário internacional de mercadorias.
O presidente da Infraestruturas de Portugal, Paulo Carmona, considera que a reabertura representa o regresso de uma “ligação ferroviária essencial para as populações”, enquanto o presidente da CP, Pedro Moreira, destaca a reposição de um serviço importante para a mobilidade e para a ligação entre territórios.

