Santuário de Fátima admite encerrar casas de banho e parques se taxa turística avançar

Destaques Ourém Sociedade

O administrador do Santuário de Fátima, Miguel Sottomayor, admitiu que poderão ser tomadas medidas como o encerramento das casas de banho e dos parques de estacionamento disponibilizados pelo Santuário caso avance a taxa turística de dois euros que o Município pretende aplicar a partir de 2027.

A posição foi transmitida num novo encontro realizado esta quarta-feira, 2 de setembro, entre hoteleiros e a ACISO. Segundo avançou o Jornal Notícias de Fátima, os empresários do setor voltaram a reforçar a sua oposição à criação da taxa.

Depois de, num encontro realizado a 27 de agosto, ainda ter sido admitida a possibilidade de aceitar a medida caso fosse aprovada, a posição agora assumida foi clara: os hoteleiros são contra.

Durante a reunião foram também feitas críticas à atuação da ACISO, com os empresários a considerarem que a associação deveria assumir uma posição mais firme na defesa dos interesses da hotelaria e do setor turístico de Fátima.

Miguel Sottomayor criticou igualmente a forma como o Município tem conduzido o destino da cidade e apontou a falta de estratégia, além de recordar a carga fiscal já suportada pelos hoteleiros. Na sua perspetiva, a criação de uma nova taxa representaria mais um encargo para o setor.

O administrador do Santuário questionou ainda a forma como Fátima é encarada enquanto destino turístico, defendendo que a cidade deve ser entendida, antes de mais, como destino de peregrinação.

A discussão ganha particular relevância pelo facto de grande parte das infraestruturas utilizadas diariamente por peregrinos e visitantes não serem asseguradas pelo Município. As casas de banho públicas e muitos dos parques de estacionamento existentes em Fátima são disponibilizados pelo próprio Santuário.

O regulamento da taxa turística continua em discussão pública e terá ainda de ser apreciado pela Assembleia Municipal. A eventual aprovação da taxa de dois euros poderá, assim, abrir um novo foco de tensão entre o Município, o Santuário e os agentes ligados à hotelaria e ao turismo em Fátima.

pub