Salvaterra quer aproximar novas gerações dos Bordados da Glória

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A Câmara Municipal de Salvaterra de Magos quer aumentar a visibilidade dos Bordados da Glória do Ribatejo e, sobretudo, despertar o interesse das gerações mais novas por uma arte tradicional que o município considera fundamental preservar.

A presidente da Câmara, Helena Neves, considera que os bordados deixaram de ser uma tradição praticamente circunscrita à freguesia de Glória do Ribatejo para se assumirem como um elemento identitário de todo o concelho.

“Era algo que estava muito localizado na Glória. Hoje é um ícone do concelho”, afirmou a autarca à RCA-Ribatejo.

Os Bordados da Glória do Ribatejo integram, desde 4 de fevereiro de 2022, o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. A candidatura foi promovida pela Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, com a colaboração da Universidade de Évora e o envolvimento da União de Freguesias de Glória do Ribatejo e Granho, associações e comunidade local.

Caracterizados sobretudo pelo ponto de cruz, embora integrem outras técnicas e aplicações, os bordados estiveram tradicionalmente presentes no vestuário, roupa de casa e diversos objetos do quotidiano. Este saber fazer foi transmitido ao longo de gerações, essencialmente entre as mulheres da comunidade.

Helena Neves considera que a classificação abriu caminho para uma maior promoção deste património, que durante muito tempo permaneceu sobretudo associado à própria comunidade gloriana.

A autarca fala de um património “riquíssimo” que importa tornar mais visível e adaptar aos tempos atuais, sem perder as suas características e identidade. O maior desafio está agora na transmissão deste conhecimento às gerações mais novas.

Helena Neves admite que este processo está ainda numa fase inicial e reconhece que aprender a técnica exige tempo e dedicação, mas considera essencial despertar progressivamente o interesse dos jovens.

A presidente da Câmara sublinha também que os Bordados da Glória continuam a ser utilizados em peças contemporâneas e em objetos do quotidiano, demonstrando que se trata de um património vivo e não apenas de uma tradição preservada no passado.

O município pretende continuar este trabalho em articulação com as bordadeiras, associações e comunidade de Glória do Ribatejo, procurando assegurar a continuidade de uma arte que permanece fortemente ligada à identidade local.

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