A Águas do Ribatejo retirou mais de 1.500 toneladas de resíduos das redes e instalações de saneamento durante os primeiros seis meses deste ano, uma média próxima das 8,5 toneladas por dia.
O número é revelado pelo presidente da empresa, Miguel Carrilho, numa entrevista à RCA-Ribatejo a propósito do Dia Nacional da Água, assinalado esta quinta-feira, 1 de outubro, e da nova campanha de sensibilização lançada pela Águas do Ribatejo.
Pode assistir aqui ao video da campanha
A iniciativa pretende chamar a atenção dos consumidores para os resíduos que continuam a ser indevidamente colocados nas sanitas e que acabam nas redes de águas residuais.
Toalhitas, fraldas, pensos higiénicos e diferentes produtos relacionados com a higiene pessoal estão entre os materiais encontrados nas infraestruturas de saneamento. Ao acumularem-se nos coletores, estações elevatórias e estações de tratamento de águas residuais, estes resíduos podem provocar entupimentos, avarias em equipamentos e outros problemas no funcionamento do sistema.
Em situações mais graves, os entupimentos podem provocar inundações na via pública ou mesmo o retorno de águas residuais para o interior das habitações.
Miguel Carrilho deixa, por isso, uma mensagem simples aos consumidores: na sanita deve ser colocado apenas papel higiénico. Todos os restantes resíduos devem seguir para o lixo.
A dimensão do problema é revelada pelos números registados pela empresa. Nos primeiros seis meses de 2026, a Águas do Ribatejo retirou mais de 1.500 toneladas de resíduos de coletores, poços de bombagem e outras instalações da rede de saneamento.
Contas feitas, representam aproximadamente 8,5 toneladas de resíduos por dia que chegam a locais onde deveriam circular essencialmente águas residuais.
A remoção destes materiais obriga à realização diária de trabalhos de limpeza e à utilização de meios próprios ou contratados, com Miguel Carrilho a referir que, em média, três a quatro viaturas estão diariamente envolvidas neste tipo de operações.
Estes trabalhos representam também custos adicionais para o sistema. Segundo o responsável, uma redução da quantidade de resíduos colocados indevidamente nas redes permitiria diminuir as necessidades de limpeza e manutenção e, consequentemente, reduzir a pressão desses custos sobre as tarifas suportadas pelos utilizadores.
A campanha lançada no Dia Nacional da Água será divulgada nos meios de comunicação e nas redes sociais, estando igualmente prevista a distribuição de informação aos clientes da Águas do Ribatejo.
A empresa pretende ainda continuar a desenvolver ações de sensibilização junto das escolas e das comunidades, incluindo visitas às estações de tratamento, onde é possível observar a quantidade de resíduos que chega diariamente às instalações.
Miguel Carrilho sublinha que este não é um problema exclusivo da região e considera que muitos dos comportamentos incorretos resultam do desconhecimento sobre o destino dos resíduos depois de serem colocados nas sanitas ou nas cozinhas.
Seis milhões de euros para renovar três ETAR
Na entrevista à RCA-Ribatejo, o presidente da Águas do Ribatejo abordou ainda um investimento estimado em cerca de seis milhões de euros destinado às estações de tratamento de águas residuais de Muge e Glória do Ribatejo, no concelho de Salvaterra de Magos, e de Benfica do Ribatejo, no concelho de Almeirim.
São infraestruturas com várias décadas de funcionamento, nas quais têm sido realizadas intervenções pontuais, mas que necessitam agora de uma remodelação profunda para responder às atuais e futuras exigências de tratamento das águas residuais.
Segundo Miguel Carrilho, apesar de formalmente se tratar de operações de reabilitação ou remodelação, na prática as intervenções resultarão em instalações praticamente novas, com sistemas de tratamento diferentes dos atualmente existentes.
A empresa está a ultimar candidaturas com o objetivo de obter financiamento comunitário para estas obras.

