A Sumol+Compal está a reforçar a fábrica de Almeirim como parte da sua estratégia de transição energética, ao mesmo tempo que prepara uma nova fase de expansão internacional. Em entrevista ao Jornal de Negócios, o presidente executivo da empresa, Diogo Pereira Dias, revelou que a unidade industrial do concelho de Almeirim ficará praticamente independente do gás com a entrada em funcionamento de uma central de biomassa.
O projeto representa um investimento de cerca de 3,5 milhões de euros, comparticipado em 55% pelo Plano de Recuperação e Resiliência. A nova central utilizará resíduos florestais para produzir o vapor necessário ao funcionamento da fábrica, reduzindo a dependência do gás e a exposição da empresa às oscilações dos preços da energia.
Segundo o responsável, o investimento permitirá reforçar a autossuficiência energética da unidade de Almeirim e dar maior estabilidade à estrutura de custos da empresa. A central deverá também contribuir para a redução da fatura energética e para o cumprimento dos objetivos de sustentabilidade definidos pela Sumol+Compal.
A fábrica de Almeirim já integra o programa de produção de energia fotovoltaica da empresa, juntamente com as unidades de Pombal e Vila Flor. No conjunto, estas instalações produzem atualmente cerca de 25% das necessidades de eletricidade da atividade industrial do grupo.
Empresa quer chegar aos 500 milhões de euros
O reforço da unidade de Almeirim surge num momento em que a Sumol+Compal prepara um novo ciclo de crescimento. A empresa estabeleceu como objetivo alcançar 500 milhões de euros de volume de negócios até 2028, depois de ter registado uma faturação de aproximadamente 417 milhões de euros. O plano estratégico assenta no crescimento das categorias e dos mercados onde a empresa já está presente, mas também na inovação, na entrada em novas áreas de negócio e na expansão para outras geografias.
Atualmente, Portugal representa mais de 80% da faturação da Sumol+Compal. A administração pretende, no entanto, aumentar o peso dos mercados internacionais, passando de uma distribuição próxima de 80% das vendas em Portugal e 20% no exterior para uma relação de 75% e 25% até ao final do atual ciclo estratégico. Onde cerca do 30% do crescimento esperado deverá resultar da atividade internacional.
Estados Unidos entre as principais apostas
Os Estados Unidos são um dos mercados prioritários. A Sumol+Compal já comercializa produtos naquele país, sobretudo junto das comunidades portuguesas, mas pretende chegar a um público mais vasto e conquistar espaço junto do consumidor norte-americano. A empresa está a estudar uma entrada através de uma parceria para produção e distribuição de sumos. Numa primeira fase, o projeto deverá avançar sem a construção de uma fábrica própria, recorrendo a parceiros locais para assegurar a produção.
O objetivo é que a Sumol+Compal tenha produção nos Estados Unidos até 2028. A empresa reconhece, contudo, que se trata de um mercado difícil, caro e muito competitivo, devido à elevada diversidade de produtos disponíveis nas prateleiras.
Além dos Estados Unidos, a Sumol+Compal está a analisar a entrada num novo mercado europeu, estando prevista uma decisão em breve. A empresa admite ainda explorar categorias próximas do seu negócio tradicional, tanto na área das bebidas como nos produtos alimentares.
A Sumol+Compal atingiu recentemente um recorde de produção, ao colocar no mercado mais de 500 milhões de litros ou quilos de bebidas e produtos alimentares. Apesar deste volume, a empresa garante que continua a dispor de capacidade industrial para responder ao crescimento previsto, ainda que possam ser realizados investimentos adicionais para aumentar essa capacidade. A administração antecipa, no entanto, que os mercados de bebidas e alimentação cresçam de forma mais moderada do que nos últimos três anos. Ainda assim, considera que a combinação entre expansão internacional, inovação e eficiência industrial permitirá atingir as metas definidas.
Aumentos salariais acima da inflação
O presidente executivo da empresa, Diogo Pereira Dias, em entrevista ao Jornal de Negócios, destacou também o investimento realizado nos trabalhadores. Em 2026, o aumento salarial médio na Sumol+Compal rondou os 5,5%, acima da inflação de 3,1% registada em junho. Nos últimos três anos, a empresa afirma ter aplicado mais de dois milhões de euros por ano em aumentos salariais. Segundo o presidente executivo, nenhum trabalhador colocado na categoria salarial de entrada recebe menos de 1.000 euros, aos quais podem acrescer subsídios e outras componentes remuneratórias.
Com o investimento energético na fábrica de Almeirim, o reforço da capacidade industrial e a aposta nos mercados externos, a Sumol+Compal procura reduzir custos, tornar as suas operações mais sustentáveis e criar condições para um crescimento mais equilibrado entre Portugal e o exterior.

