A Comissão de Moradores de Árgea afirma não se opor à produção de biometano nem à transição energética, mas rejeita a instalação da unidade industrial prevista para uma zona situada a cerca de 212 metros das habitações. Em entrevista à RCA-Ribatejo, Pedro Gonçalves defendeu que um projeto desta dimensão deveria ser instalado numa área industrial, afastada das populações.
De acordo com o representante dos moradores, a unidade poderá receber aproximadamente 100 mil toneladas de resíduos por ano e funcionar durante cerca de 30 anos. A circulação associada ao projeto poderá representar entre 30 e 40 veículos pesados por dia, através de estradas que, segundo a comissão, não estão preparadas para este tipo de tráfego e atravessam o centro da aldeia.
Os moradores manifestam também preocupações com eventuais odores, emissões de amoníaco e sulfureto de hidrogénio, consumo de água, impermeabilização dos terrenos e possíveis consequências para os aquíferos e linhas de água da zona. Pedro Gonçalves salientou que, mesmo admitindo que a unidade funcione dentro das condições previstas, continuam por esclarecer os mecanismos de resposta em caso de falha ou acidente, devido à proximidade das casas.
A consulta pública recebeu, segundo a comissão, 429 participações, das quais 414 desfavoráveis. A Câmara e a Assembleia Municipal de Torres Novas já manifestaram oposição ao projeto, posição também assumida por autarquias e juntas de freguesia próximas. Pedro Gonçalves referiu ainda que o Plano Diretor Municipal não permite atualmente a construção da unidade naquele local.
Durante a entrevista foi recordado que a empresa responsável tem defendido que o projeto não terá impactos significativos na qualidade do ar ou nos recursos hídricos e que a localização foi escolhida devido à proximidade das matérias-primas, da rede de gás e dos acessos rodoviários. A empresa terá também analisado alternativas em Tomar e Vila Nova da Barquinha, embora Pedro Gonçalves afirme que essa comparação não consta da documentação do projeto que consultou.
A Comissão de Moradores considera que a instalação poderá afetar a qualidade de vida, desvalorizar as propriedades e contrariar o movimento de regresso de população às aldeias. O projeto prevê, de acordo com a entrevista, a criação de sete postos de trabalho diretos, benefício que os moradores consideram insuficiente perante os impactos que receiam.
O processo aguarda agora a avaliação e o relatório final das entidades competentes. Pedro Gonçalves garantiu que os moradores vão acompanhar os desenvolvimentos de forma vigilante e que não baixarão os braços caso o projeto receba uma decisão favorável ou favorável condicionada.
A comissão insiste que não pretende impedir a construção da unidade, mas apenas que seja escolhida uma localização mais adequada, afastada das habitações e com acessos e infraestruturas preparados para uma instalação industrial desta dimensão.
Entrevista completa a Pedro Gonçalves disponível aqui:

