A importância económica, ambiental e social da floresta esteve em debate num colóquio promovido pelo Centro de Apoio Social da Parreira, no concelho da Chamusca. A iniciativa reuniu especialistas, produtores e elementos da comunidade em torno da pergunta “Qual é a árvore-rainha da Charneca?”, procurando dar a conhecer as características e o papel das diferentes espécies florestais.
O encontro integrou a Festa da Floresta, iniciativa criada pelo Centro de Apoio Social da Parreira para valorizar um património que está profundamente ligado à história e à economia da freguesia. Ao longo de várias gerações, a floresta proporcionou rendimentos a muitas famílias através da extração de cortiça e resina, da plantação e exploração de árvores e de outras atividades associadas ao setor florestal.
Manuel Oliveira, presidente do Centro de Apoio Social da Parreira, considera que a localidade dificilmente teria o desenvolvimento e a identidade que hoje apresenta sem a floresta. Para o responsável, este património deve ser valorizado não apenas pela sua importância económica, mas também pelos benefícios ambientais, pela qualidade de vida que proporciona e pela capacidade de atrair novos habitantes para o território.
O colóquio procurou promover a troca de conhecimentos e apresentar diferentes perspetivas sobre as espécies florestais. Apesar da pergunta lançada no início do encontro, não foi escolhida uma única “árvore-rainha”, uma vez que cada espécie possui vantagens e funções próprias no equilíbrio da floresta.
Manuel Oliveira destacou ainda a necessidade de relacionar a floresta com outras atividades, incluindo a agricultura e a produção animal, defendendo uma visão integrada do território e a recuperação de sistemas em que estas componentes coexistam.
Entre os assuntos discutidos esteve a capacidade das diferentes árvores para captar carbono e o papel da floresta na redução das emissões associadas a outras atividades económicas. O presidente do Centro de Apoio Social da Parreira apontou o sistema agrossilvopastoril como um modelo que poderá ganhar novamente importância, ao combinar árvores, agricultura e criação de animais no mesmo território.
O encontro abordou igualmente o eucalipto, uma das espécies que gera maior debate em Portugal. Manuel Oliveira defendeu a necessidade de analisar esta árvore com base em informação e conhecimento técnico, evitando ideias preconcebidas, mas sublinhou que a floresta não pode ser reduzida a uma única espécie.
O responsável reconheceu que não foi possível aprofundar todos os temas previstos e manifestou a intenção de dar continuidade ao debate numa próxima edição. Entre os assuntos que poderão vir a ser abordados encontram-se a resinagem dos pinheiros, uma atividade que teve uma importância significativa para as gerações anteriores, e o aproveitamento económico de diferentes recursos da floresta.
Para Manuel Oliveira, a experiência e os conhecimentos das pessoas mais velhas devem também ser preservados e transmitidos às novas gerações. O presidente do Centro considera que a modernização não deve significar o abandono dos saberes tradicionais, sobretudo numa região onde muitas profissões e modos de vida estiveram historicamente ligados à floresta.
No balanço da iniciativa, Manuel Oliveira considerou que o colóquio constituiu uma etapa num processo gradual de formação da opinião pública. Apesar de não ter alterado completamente as convicções dos participantes, o encontro permitiu levantar novas questões, esclarecer dúvidas e confrontar diferentes pontos de vista.
A Festa da Floresta foi também criada com o objetivo de apoiar financeiramente o Centro de Apoio Social da Parreira. Quando Manuel Oliveira assumiu a presidência da instituição, há cerca de três anos, o Centro atravessava dificuldades económicas e encontrava-se em risco de encerrar. A realização da festa, juntamente com uma noite de fados promovida anualmente, permitiu angariar receitas importantes para equilibrar as contas da instituição.
Além da componente financeira, a Festa da Floresta pretende afirmar-se como um espaço de encontro, divulgação e valorização da identidade local. O Centro de Apoio Social da Parreira pretende, assim, continuar a associar o apoio social à promoção do território e de um património que permanece essencial para o futuro da comunidade.

